Breve história de Machado de Assis

Machado-de-Assis

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) nasceu em 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro, filho de um pai de ascendência africana e de uma mãe Açoriana branca, sob a proteção de uma madrinha, Dona Maria José de Mendonça Barroso. Os pais de Machado viviam como dependentes desta mulher rica, viúva Portuguesa de um senador imperial. Como resultado, a infância de Machado foi caracterizada por uma estreita relação com realidades econômicas, sociais e raciais muito distintas e até contrastantes. O prolífico escritor manteve uma vida excepcionalmente privada – suas visões pessoais, seus sonhos e ambições, seus motivos, sua ideologia política, bem como seus relacionamentos mais próximos permanecem em grande parte desconhecidos para seus leitores e críticos.

Muito pouco foi descoberto sobre a vida de Machado até os 15 anos. No entanto, todas as evidências sugerem que ele era um autodidata empreendedor desde muito cedo. Na adolescência, Machado começou a trabalhar na livraria e tipografia de Paulo Brito no Rio de Janeiro. Essa experiência lhe proporcionou uma oportunidade de se misturar e aprender com importantes intelectuais de sua época, como Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar. Logo depois, Machado começou a trabalhar sob a proteção do escritor Manuel Antônio de Almeida, como aprendiz tipógrafo.

No final da década de 1850, Machado iniciou simultaneamente sua carreira como jornalista e se engajou no mundo literário, com dezenas de publicações em várias revistas e jornais, principalmente na forma de poesia e drama. No início de sua carreira, aos 27 anos, ele entrou no serviço público, um trabalho que valorizava e mantinha até sua morte.

Em 1867, Machado conheceu Ana Carolina Xavier de Novais, a mulher com quem se casaria dois anos depois. Ana Carolina, cinco anos mais velha, era irmã de um dos amigos mais próximos de Machado, um poeta português que também morava no Rio de Janeiro. O casamento com uma mulher portuguesa branca e educada seria um importante selo de aprovação ao pleno estabelecimento de Machado como membro da elite. Embora Machado já fosse um escritor bem aceito e admirado quando começou a cortejar Ana Carolina, acredita-se que sua família inicialmente se opôs ao casamento devido à cor da pele de Machado. Hoje, a versão oficial celebra Machado e Ana Carolina como um caso exemplar de felicidade matrimonial e dedicação mútua.

Em um ritmo lento e constante, Machado de Assis começou a se aplicar à prosa escrita, o gênero que se tornou seu métier, tanto na forma de contos quanto de romances. Em 1878, Machado tinha experimentado sucesso ininterrupto e uma ascensão constante e inegável. Uma grave crise de saúde, no entanto, obrigou Machado a passar 3 meses de descanso fora do Rio de Janeiro, na cidade de Nova Friburgo. Só então foi confirmado que Machado sofria de crises epilépticas graves. Com o tempo, as convulsões tornaram-se cada vez mais frequentes.

Muitas biografias e interpretações críticas tendem a concordar que, após o período de recuperação, Machado retornou ao Rio de Janeiro um autor diferente. Levando em consideração os insights e witticisms manifestados em contos e crônicas anteriores, é problemático falar de uma ruptura completa e definitiva com seu trabalho anterior. No entanto, um romancista e estilista diferente realmente emergiu com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (na forma de parcelas em 1880 e como livro no ano seguinte). Seus romances anteriores lhe deram o respeito e o reconhecimento que qualquer autor aspiraria obter, mas o tom irônico e radical do falecido narrador de Memórias Póstumas elevaria Machado a um escritor aclamado pela crítica de estatura desigual de biografia de Machado de Assis.

A carreira de sucesso contínuo de Machado de Assis proporcionou a ele e Ana Carolina um estilo de vida confortável, e por volta de 1884 eles se mudaram para uma casa na Rua Cosme Velho, onde permaneceriam pelo resto de suas vidas. A casa estava localizada em um dos bairros mais ricos do Rio de Janeiro. Este foi um momento de acalorados debates na política brasileira, quando liberais e conservadores lutaram por dois pontos principais: a abolição da escravidão e a legitimidade da monarquia. Machado nunca se associou a nenhum movimento político e manteve principalmente uma postura tranquila.

Na opinião de alguns biógrafos, como Ubiratan Machado em “O Enigma de Cosme Velho”, Machado apoiou a causa da abolição por meio de sua participação no departamento de Agricultura. Esta saída do governo foi responsável por arbitrar disputas sobre a Lei do útero livre, que estabeleceu em 1871 que os filhos recém-nascidos de escravos eram homens e mulheres libertos.

Segundo alguns críticos, as atividades de Machado como chefe de seção quase sempre se opunham aos interesses dos proprietários de terras. Em meio à turbulência política, Machado continuou a escrever. Baseado em um personagem secundário de Memórias Póstumas de Brás Cubas, o autor contou com a história de um filósofo semi-demente, no romance intitulado Quincas Borba, publicado em forma de livro em 1891. Durante a última década do século XIX, o autor publicou algumas de suas mais famosas coleções de contos, como Várias Histórias.

Fonte: https://cartanaescola.com.br/biografia-de-anita-malfatti/